domingo, 13 de maio de 2012

Cena Urbana nº1


-Boa noite pessoal, pessoal.

Pessoal, sei que é chato estar incomodando vocês, que estão cansados do trabalho a essa hora, porém mais chato ainda seria eu fizesse isso todo dia, ou certamente três vezes ao dia. Não me orgulho do que faço e faço pra ajudar minha família.

Esse produto que tenho em minha mão, se trata de um revólver calibre 38. Capaz de transformar uma esposa feliz em viúva carente, ou até mesmo uma criança sorridente em orfão deprimido.

Conto com a ajuda de todos vocês pra que possa realizar meu trabalho, e para que esse assalto seja um sucesso.

Peço a todos que façam silêncio, desliguem os celulares e juntamente com suas carteiras, coloquem esses pertences dentro desse chapéu.

No momento não estamos trabalhando com moedas, vale refeição e cheques, porém, peço que guardem para os nossos futuros encontros.

Obrigado pela colaboração e tenham todos uma boa noite.

Maurício Castro.

sábado, 17 de março de 2012

Porra Shakespeare!




 Shakespeare errou em concluir sua obra prima sacrificando vidas em prol de um romance proibido.Porra Shakespeare! Auto sacrifício é a pior prova de amor que alguém pode lhe fazer,depois de uma tatuagem com seu nome é claro.

Obviamente,não estamos discutindo o final magnífico de Romeu & Julieta,mas sim,o fato de que ninguém deve morrer por um amor,seja em prova dele,necessidade ou acidentalmente durante a cópula.

Se um grande amor um dia lhe perguntar:

-Amore,sabe que eu morreria por você ?

Caro amigo,se essa questão surgir enquanto comem pipoca assistindo a uma comédia romântica,espero que tenha a coragem de dize-la um sincero:NÃO OBRIGADO.

Se ainda estiver vivo ao final da resposta,e sua compreensiva esposa ou namorada lhe permitir a explanação,pode enfim ensina-la que de nada vale um amor no caixão,amor só nos serve em vida e estando ao nosso lado.

Longe de mim ser egoísta,mas de que me serve o peso de um suicídio? A quero vivinha,desfilando pela casa descalça vestindo minha camisa social pela manhã.Muito mais sexy do que um velório,não?

Maurício Castro.

domingo, 2 de outubro de 2011

Tudo sobre Estela (Oitava Parte)



  Sexta a noite,ao olhar o relógio de bolso que carrega no sobretudo,Pablito constata que já são quase onze horas e Estela ainda não apareceu,enquanto isso,divide um cigarro com Gadelha,iluminados pela luz fraca de um poste próximo a lixeira.

Papéis são arrastados pela rua,soprados pela brisa de um começo de outono,dos bueiros exalam odores do esgoto e acumulam poças d'agua.Sob a aba do chapéu,Pablito avista a aproximação de um táxi.

-Achei que iria desisitir Estela. Fala Pablito ao aproximar-se da janela do carro.

-Desculpem o atraso,mas a cidade pára quando começa a chover. Justifica Estela,enquanto paga a corrida.

-Ok,vamos recapitular,Valdir já nos aguarda na mesa próxima ao palco.É bem provável que já esteja assistindo a um strip-tease,e tomando cerveja a tempo suficiente pra ter avistado Orlando.Discretamente,você entra e senta-se com ele Estela,evite tirar a peruca e Gadelha irá ficar comigo.Trouxe munição suficiente Dona Gadelha?

-O suficiente pra uma chacina meu bem. Gadelha ao falar abre o sobretudo,e realmente constatamos que a matrona não está brincando.Além de duas submetralhadoras carrega dois cintos de balas,e nas costas um facão de selva.

-Então o que estamos esperando? Vamos entrar! Pablito,assumindo a frente do trio.


Parte 8-Bem vindos ao SHOW CLUBE CARINHOSO!


  O ambiente numa decoração kitsch,tem no ar uma lascíva cortante feito navalha,além de uma sensação de violência iminente.As garotas a maioria ao estilo "Miss Pavilhão 9" tentam fazer números de pole dance.Poucas se destacam e essas parecem menores de idade,são as mais cobiçadas.

Uma nuvem de cigarro e maconha prejudica a visão nos primeiros momentos,a mesa de sinuca serve de cama para os mais ousados,assim como o banheiro serve de motel e cheiródromo,ninguém entra sozinho naquele W.C.

Estela avista Valdir e como combinado aproxima-se,uma moça sai de baixo da mesa secando os lábios,deixando o casal a vontade.

-Boa noite senhor,me perdoe o atraso.

-Não tem problema senhorita,o show principal vai acontecer dentro de alguns minutos.Deseja beber algo?

-Aceito um Martini.

-Garçom,por favor! Uma cerveja para mim,e um Martini para a dama que me acompanha!

Estela sussurra ao ouvido do caminhoneiro,enquanto o garçom serve as bebidas:

-Fica muito bem de terno Valdir,mas poderia ao menos ter tirado esse boné,apenas dessa vez...

Enquanto isso,na mesa de Gadelha e Pablito:

-Dona Gadelha,o show da stripper principal começa dentro de alguns minutos,é provável que Orlando irá fazer sua segurança próximo ao palco,quando avistá-lo chame-o até a mesa e lhe entregue esse bilhete.

-Tudo bem querido,serei muitíssimo discreta.

 As luzes se apagam,e apenas um foco no palco ilumina o apresentador da tão esperada atração principal:

-Boa noite senhoras e senhores,sejam bem vindos ao Show Clube Carinhoso,esta noite em especial temos a honra de trazer-lhes diretamente das suas fantasias mais sórdidas,vinda dos confins do inferno,expulsa pelo próprio Satanás,a diva,a rainha: Tura Satana!

Entre aplausos efusivos sobe ao palco a estrela do cultuado filme "Faster pussycat,kill kill!",envolta em um manto vermelho,acompanhada por um senhor com vestes semelhantes a um sacerdote, porém em cor negra.

Pablito sem conseguir esconder a surpresa,dirije-se a Gadelha e questiona:

-Achei que Satana estava morta!

Gadelha,não menos surpresa dá um gole em seu drink com a mão trêmula,afinal,sempre que possível contava aos amigos sobre o dia em que havia conhecido a atriz,e a julgar pelo seu rosto pálido,a matrona devia estar falando a verdade.

-Sim querido,sim,os jornais haviam noticiado que ela havia morrido...Santo deus.Espero que tudo esteja correndo bem na mesa de Estela.

Satana começa sua apresentação ao som de "I still got the blues",e como no auge da carreira ainda desperta a libído de todos presentes,sua pele branca e cabelos negros lhe dão uma estética vampiresca e sensualidade mórbida.

No meio do show Estela percebe a entrada de Orlando,suando frio pega a coxa do caminhoneiro,e ao ouvir um barulho de zíper abrindo sente na sua mão algo quente,roliço e latejante.

-Por favor Valdir,guarde seu pau,estou lhe cutucando por que acabo de avistar nosso alvo.Bem ali,ao lado esquerdo do palco.

O caminhoneiro se recompondo em sua poltrona,comenta:

-Sim me desculpe Estela,achei que seria um bom momento pra...Ah! Claro ali está o desgraçado! Agora é momento certo de Gadelha chamar sua atençao e lhe dar o bilhete.

Discretamente Pablito deixa o recinto,enquanto Gadelha tira o bilhete do bolso e o levanta,chamando a atenção de Orlando.O segurança após olhar ao redor,encaminha-se até a mesa,mas no caminho esbarra no copo de Estela espatifando-se em cacos no chão.Ao se abaixar para juntar os vidros partidos,o segurança se desculpa,a voz grave a desperta um calafrio que em segundos se externa em suor e mãos trêmulas,mas não a reconheceu.

-Boa noite Dona Gadelha,prazer rever a madame.

-Boa noite deus de ébano,tome isso,leia somente após a minha saída,ok meu bem?

A matrona se retira e seu corpo some entre a fumaça,só então ele abre o bilhetinho e sua expressão traduz a previsibilidade da situação,definitivamente a madrugada não traria surpresas,ao menos isso é o que ele pensa.

Gadelha o aguarda na porta dos fundos da boate,a chuva a essa hora ja havia dado trégua e a lua cheia já aparecia timidamente entre nuvens carregadas.

-Então senhora? Aqui está o seu "amiguinho"...Orlando,enquanto abre o zíper.

-"Amiguinho" é modéstia sua não? Enfim meu bem,pensei que hoje poderíamos variar um pouco,estou cansada das mesmas safadezas escatológicas de sempre,sabe o que tenho pra você essa noite? Uma surpresa!

Antes de qualquer reação,Orlando sente um baque desferido em sua nuca,sua visão começa a ficar turva,e ao cair no chão molhado ainda consegue ver de relance quatro pessoas,entre elas Estela...

(Continua...)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

"Get Me Away From Here I'm Dying"-Belle And Sebastian


...Ooh! Get me away from here I'm dying
Play me a song to set me free...

Sé7ima Arte: "Elvis & Madona"



...O longa de estréia de Marcelo Laffitte surpreende o público,apresentando um ponto de vista leve e desprovido de estereótipos do universo underground gay...

Com um currículo repleto de prêmios,incluindo o 20th Oslo G&L Film Festival-Melhor Filme pelo Júri Jovem,e o12 Éme Festival du Cinéma Brésilien de Paris-Melhor Filme pelo Júri Popular,Elvis & Madona conquistam o espectador,mostrando-se uma comédia romântica de argumento inovador,que de forma bem humorada acaba com os parâmetros de gênero.

Madona é cabeleireira no salão Divas, em Copacabana, e dá duro para juntar dinheiro. Seu sonho é montar um musical estrelado por drag queens. Até que um dia um ex-amante, o bandido João Tripé (Sérgio Bezerra), aparece em seu apartamento levando todas as suas economias,após agredi-la.

Quem chega pouco depois é Elvis,uma motoqueira que sonha em ser fotógrafa e sobrevive como entregadora de pizzas, e veio justamente entregar um pedido de Madona. Depois de socorrê-la, Elvis torna-se grande amiga da cabeleireira. Os dois tornam-se inseparáveis,aflorando um romance inesperado.

O elenco conta com Igor Cotrim,Simone Spoladore e participações especiais que agregam de forma hilária os momentos mais descontraídos do filme.


Visite o site oficial: http://www.elvisemadona.com.br/

Elvis & Madona-Trailer Oficial

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Reticências

  Tenho a absoluta incerteza sobre a máxima maquiavélica que sentencia:"Os fins justificam os meios".Não quero me ater ao lado moralista,filosófico ou politicamente incorreto do autor de "O Príncipe".Apenas opino que muitas vezes os "meios" me parecem mais interessantes que os "fins".

  Na maioria das situações nos obrigamos a ver um simbólico ponto final em tudo,sendo que mais interessante seria manter apenas as reticências.O caminho me fascina muito mais que a chegada,por mais gloriosa que a mesma possa vir a ser.Em certos casos prefiro o trajeto na pista a bandeirada final.

  As vezes também simpatizo mais com a possibilidade de um acontecimento,ao fato real ocorrido.Manter esse evento numa esfera de possibilidade e apenas isso,por vezes soa melhor que a realidade sem graça e menos romântica do concreto.

  Como já dizia a propaganda de um cursinho pré-vestibular (se não me falha a memória):Não são as respostas que movem o mundo,e sim,as perguntas.

  Enfim,tergiverso apenas na intenção de chegar a lugar nenhum,e me parabeinzo,por que pelo jeito,esse texto não chegou mesmo,essa era a intenção,sem conclusão ou ponto final,apenas reticências...

Maurício Castro